Nem sempre a vida segue da forma como sempre sonhamos. Ela
muda de rumo como quem não quer a coisa e obriga-nos a crescer quando achamos
que ainda não está na altura para tal. Se há uns 6 anos me dissessem que eu
teria de começar a viver sozinha aos 18 eu nunca acreditaria, se me dissessem
que eu teria de viver a 2000 km dos meus pais e irmãos eu iria rir e se me
dissessem que na vida sofre-se muito, eu duvidaria. Vi muitas vezes pessoas a
sofrer, mas a minha vida era boa, porque tinha uma casa, uma família, alguém
que me apoiaria sempre. E ainda tenho, mas de uma maneira muito diferente. Nos
dias em que não tenho tempo sequer para pensar estou bem, estável e sorridente,
mas basta vir uma tarde livre, em que esteja sozinha que a minha cabeça parece
um filme de terror. Acho errado e mau e tento por tudo mudar e construir outros
pensamentos. Tenho tanta coisa boa na vida. Tenho pessoas que me ajudam sempre,
hobbies, amigos, festas, livros, conhecimento e a faculdade. Mas não tenho
aquilo com que me habituei sempre a ter: a minha família. Não tenho a mãe que
me vai buscar à estação ou ao autocarro à sexta feira, não tenho os abraços dos
meus irmãos, não tenho o Rufus para me fazer companhia aos fins de semana, não
tenho o meu pai a falar-me de futebol e a gozar-me por causa do Federer ou do
Sapunaru. Tenho saudades deles e é uma escolha minha estar em Portugal sozinha
e irá ser sempre. Já vivi com eles e era muito feliz. Feliz para valer. Agora
conto os dias (muitos) para os voltar a ver, mas ora é a faculdade, ora são os
empregos deles que impossibilitam ir lá ou eles virem cá. Todos os dias
agradeço-lhes das oportunidades que eles me dão e sobretudo à educação que
tive. Sem ela de certeza que eu nunca seria a pessoa que sou hoje.
Sei e acredito no que os meus irmão me dizem sempre que falo
com eles: Um dia estaremos todos juntos de novo, como antes, e felizes. Com
pouco, mas com o mais importante: o amor que temos uns pelos outros.
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