21 de março de 2013

as janelas killers

Adoro o Verão. E não se trata apenas pelo calor, pelas férias, mas sim por ser a época em que tenho tempo para fazer tudo o que não faço durante o ano, por falta de tempo, espaço e até pela meteorologia. No Verão é quando eu gosto de acordar cedo, ir correr, aproveitar a manhã. E é também nessa altura em que gasto praticamente todo o meu tempo a ler. No Verão passado descobri lá em casa um livro que se intitula "Nunca desista dos seus sonhos" e trata-se de um livro de auto-ajuda, ainda que na minha opinião não o seja. Esse livro fez-me perceber muita coisa das quais que temos medo de pensar. Um dos temas abordados nesse livro que mais me fascinou foram "as janelas killers", as janelas assassinas. Estas são zonas de conflito, onde se registam as emoções, pensamentos negativos, traumas. Quando algum fator promove o surgimento dessas janelas, o ser humano é incapaz de pensar com clareza e ter pensamentos inteligentes, agindo como animais irracionais, tendo atitudes animalescas. E também quando essas janelas são abertas com regularidade vão-se acentuando cada vez mais os traumas, as emoções negativas, sendo cada vez mais dificil sair do conflito connosco mesmos. A solução, para fugir a essas zonas é quando elas surgem tentar criar as janelas paralelas, que são "boas memórias", pensamentos positivos para se sobreporem às negativas.

Quando eu andava na escola secundária, há cerca de 3,4,5 anos e tinha mais 15 Kg do que atualmente (com 1m82), cabelo pelos ombros, muita gente troçava de mim dizendo que eu devia ser a mulher do Hagrid por tantas semelhanças que tínhamos. Aí eu criei uma janela killer que se alastrou, porque cada vez que alguém fazia uma critica má (não construtiva) eu ia criando cada vez mais zonas de conflito. E até há umas semanas eu pensava que as tinha superado, porque agora estava no bom caminho, porque estava diferente, mudada, muito mudada. Mas pelos vistos não, porque um dia (já na faculdade e há relativamente pouco tempo) fui sair à noite com uma Amiga. Estávamos a dançar, divertidas até que quando fomos ao bar reparei num rapaz a olhar para mim e a gozar comigo (hoje eu rio-me pois estava a gozar apenas com o facto dos meus lábios serem muito grossos). Nesse momento parei a olhar para ele e vi nele toda a gente que antes gozava comigo, logo a zona de conflito que eu julgava morta reapareceu e no momento em que ele voltou a olhar-me nos olhos eu parti para a violência, até que alguém nos separou. Ele não reagiu, os amigos dele disseram que ele é assim, goza com toda a gente (triste a vida dele) e que eu não devia ter ligado ao que ele estava a fazer. Bem, pois não, porque se ele estava mal com alguma coisa que vivesse com a horrível personalidade que julgo que ele tenha (mesmo não fazendo a pequena ideia) mas também se eu não tivesse uma zona de conflito relacionada com o facto de troçarem de mim também teria reagido de maneira diferente. É o que eu digo, se nós formos bons com os outros, ajudarmos e sermos amáveis não só nos sentimos melhor connosco próprios como também melhoramos os pensamentos das outras pessoas.

Gostava tanto de me expressar melhor...

17 de março de 2013

Música é a essência #2

The Doors - A feast of friends

A música do casamento dos meus pais. :)

Andanças e mudanças


Nem sempre a vida segue da forma como sempre sonhamos. Ela muda de rumo como quem não quer a coisa e obriga-nos a crescer quando achamos que ainda não está na altura para tal. Se há uns 6 anos me dissessem que eu teria de começar a viver sozinha aos 18 eu nunca acreditaria, se me dissessem que eu teria de viver a 2000 km dos meus pais e irmãos eu iria rir e se me dissessem que na vida sofre-se muito, eu duvidaria. Vi muitas vezes pessoas a sofrer, mas a minha vida era boa, porque tinha uma casa, uma família, alguém que me apoiaria sempre. E ainda tenho, mas de uma maneira muito diferente. Nos dias em que não tenho tempo sequer para pensar estou bem, estável e sorridente, mas basta vir uma tarde livre, em que esteja sozinha que a minha cabeça parece um filme de terror. Acho errado e mau e tento por tudo mudar e construir outros pensamentos. Tenho tanta coisa boa na vida. Tenho pessoas que me ajudam sempre, hobbies, amigos, festas, livros, conhecimento e a faculdade. Mas não tenho aquilo com que me habituei sempre a ter: a minha família. Não tenho a mãe que me vai buscar à estação ou ao autocarro à sexta feira, não tenho os abraços dos meus irmãos, não tenho o Rufus para me fazer companhia aos fins de semana, não tenho o meu pai a falar-me de futebol e a gozar-me por causa do Federer ou do Sapunaru. Tenho saudades deles e é uma escolha minha estar em Portugal sozinha e irá ser sempre. Já vivi com eles e era muito feliz. Feliz para valer. Agora conto os dias (muitos) para os voltar a ver, mas ora é a faculdade, ora são os empregos deles que impossibilitam ir lá ou eles virem cá. Todos os dias agradeço-lhes das oportunidades que eles me dão e sobretudo à educação que tive. Sem ela de certeza que eu nunca seria a pessoa que sou hoje.

Sei e acredito no que os meus irmão me dizem sempre que falo com eles: Um dia estaremos todos juntos de novo, como antes, e felizes. Com pouco, mas com o mais importante: o amor que temos uns pelos outros.

16 de março de 2013

Regresso.

Passado algum tempo desde o último post, estou de volta. E com imensas mudanças. Entrei na faculdade, na 2ª opção, ainda que se a candidatura fosse agora, seria sem dúvida a pimeira. Conheci imensas pessoas, fiz alguns amigos e apesar de não ter cumprido todos os objetivos, continuo a lutar pelos meus sonhos. Contudo e porque a vida tem destes momentos, perdi a pessoa mais emblemática da minha vida, o meu avô materno, vi a minha mãe sofrer como nunca tinha visto antes, vi o meu irmão emigrar para junto dos meus pais ficando em Portugal sozinha e recebi a noticia de que o meu pai tinha sofrido um enfarte. Tudo coisas que me custaram e ainda custam a aceitar. 
E também porque o nosso bem estar depende imenso da forma como encaramos e aceitamos o que nos acontece de mal na vida batalho ainda todos os dias contra os pensamentos negativos nos quais tenho a mania de focalizar. 
Claro está também tive coisas boas. O curso foi sem dúvida a melhor surpresa e também as pessoas que encontro todos os dias. O espirito académico é das ligações mais fortes que já vi e ver a academia inteira a cantar a música da faculdade é muito, muito comovente.
Em relação ao destino deste blog, vou continuar a escrever, agora mais regularmente, mas talvez o vá levar por outros caminhos. Mas isso irá perceber-se mais para a frente.
Estou bem, não digo feliz, mas bem.