Adoro o Verão. E não se trata apenas pelo calor, pelas férias, mas sim por ser a época em que tenho tempo para fazer tudo o que não faço durante o ano, por falta de tempo, espaço e até pela meteorologia. No Verão é quando eu gosto de acordar cedo, ir correr, aproveitar a manhã. E é também nessa altura em que gasto praticamente todo o meu tempo a ler. No Verão passado descobri lá em casa um livro que se intitula "Nunca desista dos seus sonhos" e trata-se de um livro de auto-ajuda, ainda que na minha opinião não o seja. Esse livro fez-me perceber muita coisa das quais que temos medo de pensar. Um dos temas abordados nesse livro que mais me fascinou foram "as janelas killers", as janelas assassinas. Estas são zonas de conflito, onde se registam as emoções, pensamentos negativos, traumas. Quando algum fator promove o surgimento dessas janelas, o ser humano é incapaz de pensar com clareza e ter pensamentos inteligentes, agindo como animais irracionais, tendo atitudes animalescas. E também quando essas janelas são abertas com regularidade vão-se acentuando cada vez mais os traumas, as emoções negativas, sendo cada vez mais dificil sair do conflito connosco mesmos. A solução, para fugir a essas zonas é quando elas surgem tentar criar as janelas paralelas, que são "boas memórias", pensamentos positivos para se sobreporem às negativas.
Quando eu andava na escola secundária, há cerca de 3,4,5 anos e tinha mais 15 Kg do que atualmente (com 1m82), cabelo pelos ombros, muita gente troçava de mim dizendo que eu devia ser a mulher do Hagrid por tantas semelhanças que tínhamos. Aí eu criei uma janela killer que se alastrou, porque cada vez que alguém fazia uma critica má (não construtiva) eu ia criando cada vez mais zonas de conflito. E até há umas semanas eu pensava que as tinha superado, porque agora estava no bom caminho, porque estava diferente, mudada, muito mudada. Mas pelos vistos não, porque um dia (já na faculdade e há relativamente pouco tempo) fui sair à noite com uma Amiga. Estávamos a dançar, divertidas até que quando fomos ao bar reparei num rapaz a olhar para mim e a gozar comigo (hoje eu rio-me pois estava a gozar apenas com o facto dos meus lábios serem muito grossos). Nesse momento parei a olhar para ele e vi nele toda a gente que antes gozava comigo, logo a zona de conflito que eu julgava morta reapareceu e no momento em que ele voltou a olhar-me nos olhos eu parti para a violência, até que alguém nos separou. Ele não reagiu, os amigos dele disseram que ele é assim, goza com toda a gente (triste a vida dele) e que eu não devia ter ligado ao que ele estava a fazer. Bem, pois não, porque se ele estava mal com alguma coisa que vivesse com a horrível personalidade que julgo que ele tenha (mesmo não fazendo a pequena ideia) mas também se eu não tivesse uma zona de conflito relacionada com o facto de troçarem de mim também teria reagido de maneira diferente. É o que eu digo, se nós formos bons com os outros, ajudarmos e sermos amáveis não só nos sentimos melhor connosco próprios como também melhoramos os pensamentos das outras pessoas.
Gostava tanto de me expressar melhor...
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